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Papa Francisco recomenda acolhida aos migrantes

Muros, barcos que afundam, homens, mulheres, crianças, recém nascidos deixados às margens, à beira da praia, no deserto, ou mesmo num canto de nossas cidades, quando conseguem nelas entrar. Estas palavras trazem à nossa lembrança uma série de imagens que temos visto, especialmente nos últimos anos. Não representam, certamente, a realidade de todos que deixam seus países. Pois, temos também histórias de acolhida, de reintegração, de recomeços num “mundo novo”.
Mas estes são dramas vividos pela maior parte daqueles que, por tentarem fugir de guerras e conflitos, catástrofes naturais, crises políticas e situações de pobreza, se veem forçados a migrar, e em alguns casos, arriscando-se em travessias perigosas, como a de rios e desertos, ou do mar mediterrâneo. São rotas criadas para fugir de países como Venezuela, que viu nos últimos anos mais de 5,5 milhões de seus habitantes literalmente fugirem para buscar refúgio em países como Brasil, Argentina, México e Estados Unidos. É também a realidade de milhares de sírios, libaneses, turcos, iraquianos, nigerianos e somalis que, usando rotas do mar mediterrâneo, com embarcações precárias, tentam entrar em países europeus, como Itália e Espanha.
Sobre essa rota, que se tornou um escândalo pelo número de mortos nos últimos anos, a ONU publicou um relatório intitulado “Desprezo Letal”, em que aponta o descaso das autoridades no socorro às vítimas de naufrágios. O documento relata que, só nos primeiros cinco meses deste ano, pelo menos 632 pessoas morreram na travessia do Mediterrâneo. Um número três vezes maior do que no mesmo período do ano passado.
A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, cobrou da União Europeia e da Líbia uma reforma, com urgência, das políticas e práticas de busca e resgate de pessoas em alto mar. Bachelet afirmou: “A verdadeira tragédia é que grande parte do sofrimento e das mortes ao longo da rota do Mediterrâneo central pode ser evitada”.
O relatório da ONU ainda aponta que a falta de proteção dos direitos humanos dos migrantes
“não é uma trágica anomalia mas, infelizmente, uma consequência de decisões políticas e práticas concretas por parte das autoridades da Líbia, dos Estados-membros da União Europeia e das instituições”.
Diversos países endureceram as regras de entrada nos seus territórios, criando novas barreiras e dificultando o trabalho de resgate às vítimas de naufrágios, oferecido pelas ONGS que atuam nessas rotas.
Por outro lado, muitos desses países que dificultam o ingresso de refugiados e imigrantes sofrem com a falta de políticas globais de integração dessas pessoas, pelo alto índice de imigração em seus territórios.
Não é uma crise de respostas fáceis. E, entre países em guerra, traficantes que aproveitam do desespero das pessoas para “jogá-las” em embarcações clandestinas, e países com cotas de acolhida superadas, estão milhares de seres humanos, que nesse momento precisam apenas ter suas vidas protegidas.
Por isso, as palavras do papa Francisco, oferecem um impulso a, antes de encontrar respostas, socorrer os que estão em perigo.
“Quando o bom samaritano encontrou aquele pobre homem meio morto à beira da estrada, não lhe fez um discurso para explicar o significado do que lhe tinha acontecido, talvez para o convencer de que afinal era para o bem dele. Movido pela compaixão, o samaritano inclinou-se sobre aquele estranho, tratando-o como irmão, e cuidou dele, fazendo tudo o que lhe era possível (cf. Lc 10, 25-37). Aqui, sim, talvez possamos encontrar um “sentido” (…) para tantos flagelos que atingem a humanidade: o de suscitar em nós a compaixão e provocar atitudes e gestos de proximidade, de cuidado, de solidariedade, de afeto. (Homilia – Papa Francisco – Te Deum 31/12/2020).

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