Jornal Folha da Cidade 278
Acesse Nossa
Edição Online
Clique na capa para abrir
Ínicio / Notícias / Mandetta é demitido do Ministério da Saúde

Mandetta é demitido do Ministério da Saúde

Demissão ocorre após divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre medidas de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante a coletiva de imprensa e boletim diário, sobre à infecção pelo novo coronavírus no país

Após especulações sobre a sua saída do Ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) anunciou pelas redes sociais sua demissão na tarde desta quinta-feira (16). O médico oncologista NelsonTeich é quem deve assumir o ministério. Demissão ocorre após divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre medidas de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.

Pelo twitter, o agora ex-ministro da Saúde, afirmou pelo Twitter que havia acabado de ouvir de Bolsonaro sobre a demissão. Agradeceu a oportunidade que foi dada “de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus”. Mandetta classificou a doença como o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar.

Luiz Henrique Mandetta também estendeu os agradecimentos a toda equipe que esteve com ele no Ministério da Saúde e desejou êxito ao sucessor. “Rogo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida que abençoem muito o nosso país”, escreveu. Em menos de 6 minutos, o post do anúncio da demissão já somava mais de 10 mil curtidas.

Mandetta negou que planeja ir trabalhar com o governador Ronaldo Caiado em Goiás e evitou comentar sobre a nova linha de trabalho de combate à pandemia após sua saída do cargo. No entanto, ele acrescentou que tem um compromisso com o país.

Pelo twitter, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse que Mandetta “fez do nosso País, com todas as suas limitações na área da Saúde, referência internacional de como enfrentar a propagação do coronavírus.” Caiado pontuou ainda que o ex-ministro “salvou milhares de vidas”.

Mandetta já esperava a demissão

Luiz Henrique Mandetta já havia afirmado nesta quinta-feira (16) em um debate online sobre a Covid-19 com especialistas da área da saúde, que a pasta sob sua responsabilidade deveria ter modificações “nas próximas horas”. Mandetta havia considerado uma situação de troca no ministério.

Ontem (15), em entrevista à revista Veja, o ministro havia argumentado estar cansado de mediar palavras com o presidente. “Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante.”

No último domingo (12) Mandetta defendeu em entrevista ao Fantástico, uma unificação do discurso no combate à pandemia do novo coronavírus. Isso porque, segundo ele, o Brasil não sabe se escuta o ministro ou o presidente.

A entrevista foi criticada pelo vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão (PRTB). Segundo ele, Mandetta “cruzou a linha da bola”, expressão para “uma falta grave” no polo equestre. De acordo com o vice-presidente, Mandetta não precisava ter dito “determinadas coisas”, conforme informações do site O Globo

De acordo com O Globo, a entrevista do agora ex-ministro foi considerada uma tentativa de “forçar sua demissão”. Além disso, diminuiu o apoio de Mandetta dentro do governo.

No dia 3 de abril, o deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou durante uma videoconferência, que o presidente Bolsonaro não tinha coragem de demitir Luiz Henrique Mandetta.

Segundo Rodrigo Maia havia dito, quando vem a público criticar o ministro, Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda. Na época, Maia havia destacado a paciência equilíbrio do ex-ministro para continuar mantendo a mesma posição do Ministério, sem ceder às pressões do chefe do Executivo.

No dia 31 de março, Mandetta foi surpreendido com o contato de alguns médicos amigos que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Eles avisaram terem sido chamados pela Presidência da República para uma reunião presencial, reunião que Mandetta afirma não ter sido chamado.

Os médicos queriam saber se Mandetta estava ciente e se iria ao encontro. Surpreso, Mandetta respondeu que não iria porque não estava sabendo. E mais: ele questionou se o convite era para um encontro presencial, o que classificou como um erro no momento em que os profissionais estavam dedicados ao combate ao coronavírus e a recomendação do mundo era para evitar deslocamentos.

De acordo com informações do site UOL, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estaria incomodado com o protagonismo de Luiz Henrique Mandetta ao liderar a atuação de combate à pandemia da Covid-19. Além disso, conforme Pesquisa Datafolha, a aprovação do Ministério da Saúde sob o comando de Mandetta era maior que a de Bolsonaro.

Sobre Equipe JFC

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *