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Caiado tem condições de articular impeachment de Jair Bolsonaro

Governador de Goiás tem do seu lado os presidentes do Senado Federal e Câmara dos Deputados

Um dos piores momentos políticos do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) podem começar agora: ter que enfrentar o governador de Goiás, o médico Ronaldo Caiado (DEM), em um duelo difícil que quase sempre termina com estocadas duras e frases fortes e impactantes.

Na última-terça-feira, em pronunciamento para todo país, Bolsonaro atacou governadores que adotam o sistema de atenção à pandemia de coronavírus recomendada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU).

Caiado defendeu seu mestrado em medicina na França e tornou-se um destacado cirurgião. Desde o início da pandemia colocou sua missão como médico acima daquela que executa como gestor, já que disse que a vida é prioridade número 1.

Quem conhece política, sabe o jogo duro em enfrentar o ex-senador goiano. Caiado praticamente enxotou Anthony Garotinho no Congresso, antecipando sua prisão na Lava Jato. Existe um vídeo que mostra o grau de pedreira que é a artilharia do goiano, ex-líder da União Democrática Ruralista (UDR).

Líder ruralista e uma das principais estrelas do DEM, Caiado era o único governador que dava janela para o presidente se manifestar até agora.

Bolsonaro já estava isolado desde julho do ano passado, quando praticamente não viajava pelo país – na verdade, o presidente esteve mais tempo fora do Brasil do que em visitas aos estados, justamente pelo isolamento.

A diferença do presidente entrar em atrito com João Doria (PSDB) ou Wilson Witzel (PTC) é que Caiado tem dois aliados no Congresso Nacional que integram seu partido: Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) e David Alcolumbre (presidente do Senado). Inclusive, o ministro Luiz Mandetta, deputado democrata, é uma indicação de Caiado.

Se quiser, o gestor goiano pode unir governadores – já que teria em tese autoridade para tanto, na medida em que foi o gestor que mais ouviu Bolsonaro até aqui – e levar a proposta para a Câmara dos Deputados. A proposta é simples: diante de uma crise sem precedentes, retirar Bolsonaro do poder por absoluta inépcia e incapacidade de lidar com cientistas. Até agora, os aliados de Bolsonaro são sujeitos como o apresentador de programas popularescos Ratinho e o crente Silas Malafaia – considerado ‘persona non grata’ na maioria dos círculos evangélicos do país, inclusive dentre os mais tradicionais, já que Malafaia é neopentecostal.

Existe uma diferença de Caiado com os demais gestores interessados na queda de Bolsonaro: ele não deverá politizar o debate, já que a pandemia fala mais alto. Daí a chance de Bolsonaro tentar pela última vez um diálogo com os governadores e Congresso Nacional.

Sem partido, sem deputados para defendê-lo e sem senadores, Bolsonaro corre o risco de ter que pedir apoio para as redes sociais, mas existe grande dúvida se a bolha de apoio em sua volta é verdadeira, já que inúmeras investigações abordam a existência de Inteligência Artificial, robôs e disparados ilegais de mensagens.

É uma bola de neve que pode estar começando.

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