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ARTIGO:ONÍRIA GUIMARÃES – A paixão é capaz de alterar aspectos do comportamento e pensamento da pessoa

“25Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. ”
(Mateus 12.25).

      Com esta citação bíblica inicio a nossa mensagem para esta edição. Nunca vi tanta divisão nas famílias e em segmentos sociais e religiosos do nosso país como estou vendo nos últimos dias. No meu modo de ver e entender os sinais dos tempos, apesar da minha pequenez diante do conhecimento humano, essa divisão tremenda tem suas raízes na falta de estudo, leitura e formação, campos estes substituídos pela comodidade das redes sociais, onde a facilidade de disseminação de “informações” ou melhor, desinformações ocupam todo o nosso tempo e impede que busquemos estudos mais profundos sobre determinados assuntos. O mundo imagético, com textos abreviados, a ansiedade em obter cada vez mais informações sobre tudo e todos nos leva a usar nosso precioso tempo com sandices. Não que tudo o que é postado nas redes sociais seja mentiras ou inutilidades, mas que a maioria das informações são maquiadas e manipuladas, isso sim é verdade. Neste campo livre, postamos nossos pensamentos e opiniões próprias e o que mais prejudica esse maravilhoso espaço de liberdade é a falta de opinião própria e de ideias pensadas e fundamentadas por grande maioria dos usuários das redes sociais. Nunca se viu tantas “Marias vão com as outras” como estamos vendo nos últimos dias. Quanta falta de identidade, de verdade e de raciocínio próprio! Como milhões de brasileiros se escondem e se acovardam nas postagens de pessoas inconsequentes!
Sou muito crítica diante de tudo que vejo pela frente. Me entristeço quando vejo postagens idiotas e totalmente sem fundamento. São tantos compartilhamentos de mensagens distorcidas, maliciosas e maldosas… E nós estamos sujeitos a fazer o mesmo, a tentação por postar algo engraçado ou bonito é tanta que às vezes acabamos por disseminar fakes news e isso é muito perigoso, afinal, o campo da internet não é assim tão seguro, estamos sujeitos a sanções penais e somos vigiados o tempo todo, por isso todo cuidado é pouco.
A internet é um campo “livre”, aberto para todos e um ótimo espaço para a comunicação, mas é um campo perigoso para quem não tem escrúpulos ou para pessoas muito humildes e mal informadas. Penso que a maioria das mensagens, dos compartilhamentos são feitos por pessoas de bem, que querem transmitir coisas boas, mas infelizmente se deixam levar por pessoas maldosas. É o joio no meio do trigo, sempre vai existir.
Nunca tivemos tanto acesso à comunicação, mas nunca tivemos tanto distanciamento entre as pessoas. Amigos já não se encontram, preferem mandar mensagens pelo WhatsApp e ao invés do abraço caloroso mandam emojis (bonequinhos com carinhas com diferentes sentimentos). Estamos sentindo falta do olho no olho, do falar a verdade, da conversa franca e amigável, do debate saudável.
A intolerância diante das diferenças aumenta cada vez mais e as ofensas estão sendo corriqueiras, principalmente na internet, já que muitos que não têm coragem de olhar diretamente para o destinatário de sua mensagem e falar a verdade, preferem as redes sociais. Infelizmente se esquecem que apesar de neste campo poder dizer qualquer coisa, quem está lendo ou ouvindo o áudio tem sentimentos e nem sempre sabe lidar com essas mensagens, sofre, se entristece e pode abandonar uma grande amizade.
A intolerância é uma tremenda falta de amor e aceitação. Ela destrói e corrói a vida humana, pode deixar sequelas para o resto da vida. Saber aceitar as opiniões contrárias, aceitar as diferenças e amar o pecador e não o pecado não é tarefa fácil, exige renúncia, exige respeito e acima de tudo amor.
Crescemos como seres humanos quando quebramos as barreiras das diferenças, quando enfrentamos o novo, quando saímos da nossa zona de conforto para conviver com realidades diversas. Acolher aquela pessoa complicada, cheia de defeitos e débil é tarefa complicada, mas conseguir ajudar essa pessoa a se tornar melhor, aceita-la e fazer com que seja aceita por outros é muito gratificante. Jesus Cristo nos deixou uma grande lição quando lavou os pés dos discípulos, quando jantou com pecadores, quando não atirou pedra em uma pecadora e quando afirmou que não veio para os sãos, mas para os doentes. São tantos ensinamentos que eu não entendo quando ouço um cristão dizer que prefere ficar longe de pessoas difíceis, prefere deixar para lá, ignorar e buscar os mais acessíveis, os mais educados e de fácil convivência. É muito cômodo lidar só com pessoas “finas”, educadas e centradas, o difícil e desafiador é conviver com quem traz uma bagagem pesada de ressentimentos, de fraquezas e de traumas.
O que estamos vivendo em nosso país nesses últimos dias me faz lembrar minha adolescência, as paixões. Essas me deixavam cega, me faziam brigar com pai e mãe e não querer ouvir ou acreditar em ninguém, apenas naquele sentimento que me dominava. Apaixonada pelo carinha, não queria saber se era bom ou mal caráter, se estava gostando de mim ou não ou se era a melhor companhia, nada disso importava, pois estava apaixonada. Assim estamos nós, brasileiros, nesse período eleitoral: apaixonados. Não importa a história de vida, o caráter, o testemunho de anos dessa pessoa, mas a paixão que no momento me deixa cega, surda e muda. E paixão, segundo o dicionário significa sentimento humano intenso e profundo, marcado pelo grande interesse e atração da pessoa apaixonada por algo ou alguém. A paixão é capaz de alterar aspectos do comportamento e pensamento da pessoa, que passa a demonstrar um excesso de admiração por aquilo que lhe causa paixão. A impulsividade, o desespero e a inquietação são outras características que costumam estar associadas ao sentimento de paixão.
Com a paixão é difícil olhar para outro lado, ver além do objeto ou pessoa interessada, enquanto o amor nos liberta, nos faz olhar além do horizonte e nos traz a calma, a serenidade. Tudo na vida é passageiro, as paixões principalmente, mas o amor… “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. (1 Coríntios 13.4-7)
Que o amor seja nosso leme nesse período de campanha eleitoral, que este não seja um tempo de distanciamento entre as pessoas, mas tempo de reflexão e atenção aos sinais dos tempos, tempo para quem sabe, amar mais o nosso povo, independente de que região viva, de sua origem ou aptidão, tempo para darmos outro destino ao nosso país, de direcioná-lo para o caminho do amor.
Boa leitura!

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