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Cine Bagdad de volta!

Quem já passou dos quarenta anos com certeza se lembra de momentos inesquecíveis vividos em um espaço único em Rio Verde, no Cine Bagdad. As paixões da juventude, quando os corações dos jovens batiam mais forte quando sentados junto ao namorado (a), assistiam a uma estreia ou a um filme já visto antes, mas que naquela imensa tela os faziam mergulhar na história e se fosse romântica melhor ainda. Os rapazes, esses às vezes atrevidinhos tentavam se aprofundar nas carícias ou trocar uns beijinhos, mas de repente, o lanterninha… Este jogava o foco de luz bem no rosto do casal, ai que sufoco!!! Aí sim, o coração batia mais forte, não de paixão, mas de medo de ser expulso do cinema.

            Mergulhar em histórias de ação, suspense, romantismo e naquelas cenas de faroeste era muito bom. No domingo à noite ou aos sábados, o cinema era certo, afinal quanta emoção se vivia naquele grande espaço, com cadeiras vermelhas e até bem confortáveis. A grande tela refletindo as imagens naquele espaço escuro mexia com a imaginação e ao final do filme, quando se acendiam as luzes e passavam pelas cortinas da entrada, adentrando a Rua Rui Barbosa, a realidade voltava à tona, parecia que haviam saído de um mundo e adentrado outro. A realidade os levava de volta, mas as lembranças do mocinho, da heroína ou daquela história incrível que tanto mexia com a imaginação, esta permanecia a semana toda. Era a magia do cinema, não só do cinema, mas do Cine Bagdad. De volta à vida real, é hora de sonhar com o próximo final de semana e de esperar que entrasse em cartaz mais um filme de tirar o fôlego, ou melhor, que chegasse logo o final de semana para além de assistir a um filme, namorar no escurinho do cinema.

            Esses sentimentos foram vividos por muitos que não querem deixar morrer um espaço que foi palco de muitas apresentações artísticas e um dos melhores cinemas do Estado de Goiás.

O Cine Teatro Bagdad, fundado em 1956 é considerado o primeiro do Estado, situado na Rua Rui Barbosa, bem no centro da cidade, era palco de peças, filmes e concertos. O prédio passou por diversas administrações e seu último inquilino foi uma Igreja Evangélica, mas estava vazio e abandonado há alguns meses.

Este ano, a Associação do Desenvolvimento Socioambiental de Rio Verde, Habitué, viu a oportunidade de reabrir o espaço e de torná-lo cada vez mais real. A associação foi fundada em 2014 e, além do Cine Teatro, também pretende restaurar a cultura de diversas formas na cidade.

O projeto Reviva pretende resgatar e restaurar o imóvel como parte da história de Rio Verde, e, para isso, espera contar com a ajuda de toda a comunidade. Uma semana foi muito pouco tempo para que o grupo fizesse os últimos ajustes para a reinauguração. No entanto, conseguiram realizar duas noites de apresentações culturais, quando muita gente esteve presente e conheceu melhor o projeto.

No sábado, dia 11 aconteceu a reinauguração com apresentação do Coral da UniRV; Chorinho; declamações de poemas e teatro. No sábado, 12, as apresentações continuaram com teatro, dança e música.

Quem prestigiou a iniciativa comentou sobre o valor do espaço como um local sonhado pela população, já que não existe no município um teatro e o antigo prédio do Cine Bagdad oferece toda infraestrutura. É claro que o prédio deve passar por uma reforma geral, o imóvel é antigo e precisa ser readaptado e isso pode levar algum tempo, além de precisar contar com o apoio da sociedade.

Segundo Paulo Ricardo Martins, produtor cultural e presidente da associação, o intuito é transformar o lugar, através da colaboração de empresários e da população, em um centro cultural histórico.

 “As ações são coordenadas de acordo com o planejamento. Entre dois e três meses serão eventos mensais, porque nesse tempo entre um mês e outro é que nós faremos a adequação do espaço para viabilizar as ações.  O projeto é o espaço ficar aberto todos os dias, da manhã até a noite para artistas, professores, empresários. Nós temos a intenção de ocupar o espaço com quem tem interesse em utilizá-lo. Temos planos para que aconteçam oficinas, palestras, aulas, além de um espaço para auxiliar os artistas, sediar futuros encontros de cineclubismos, encontros musicais e literários, tudo isso nós já temos articulado. Nosso objetivo é oferecer espaço para cultura e educação artística, além de resgatar a história”, explicou o produtor.

O proprietário do imóvel, Gilberto Duarte de Castro, abraçou a ideia, já que a memória de sua família também será resgatada. “Toda nossa família trabalhou aqui, fomos pioneiros em Rio Verde, trouxemos um cinema para uma cidade que nem asfalto tinha”, disse emocionado.

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