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Cenas Urbanas – A Cultura vem de berço

Oníria Guimarães

As Cenas Urbanas dos últimos quinze dias lembram mais cenas rurais. O cenário, o Parque de Exposição Agropecuária de Rio Verde, os coadjuvantes, centenas de pessoas, jovens, adultos e idosos; os protagonistas (vários que se destacaram sob meu olhar crítico), crianças. Estas se destacavam na grande tela; nos braços dos pais, no carrinho de bebê; caminhando lentamente pelo parque ou sonolentas no colo da avó.
Essas cenas me chamaram a atenção por remeter às nossas origens. As crianças protagonistas me fizeram voltar a atenção para a nossa cultura, algo que está enraizado em nosso ser, uma forma de vida que traz à lembrança nossos antepassados. Assim observei nas roupas, calçados e acessórios usados por esses baixinhos, modelitos que atraíam a atenção de todos. Tão pequeninos e usando botas de couro, botinas rancheiras, camisa xadrez, sem falar nos acessórios, cintos com fivelas em destaque e o chapéu, este não podia faltar. Alguns com dois, três ou quatro anos, caminhavam pela “Fazendinha da Vovó” exibindo o seu traje, galantes, faceiros e fazendo graça, como que quisessem chamar a atenção. Os pequenos retratavam o homem do campo, o peão de rodeio, o cavaleiro e a amazona. Mesmo tão pequeninos já exibiam seu estilo, com certeza, um figurino criado pelos pais.
Diante das cenas, percebi o valor que o estilo rural tem para tantos que vivem em nossa cidade e não querem deixar morrer a tradição, os hábitos e a cultura sertaneja e rural. Trajar as crianças, mesmo os bebês desta forma, significa valorizar a cultura, querer mostrar um sentimento de amor às origens, afinal, seus filhos são o bem mais precioso e exibi-los numa feira tão importante, vestidos desta maneira é sinal de amor à cultura local, é querer não deixar morrer as lembranças dos pais, dos avós e de tantos que construíram a história da cidade do agronegócio.
Muitos não continham a vontade de chegar perto, elogiar a criança ou os pais, pois aquele estilo tinha tudo a ver com suas origens, com o seu passado simples na roça ou com sua infância querida, sem falar na vontade de apertar aquelas “fofuras”.
A elegância e charme das belas jovens trajadas em estilo country não atraíam tanto os olhares como as crianças vestidas neste mesmo estilo. Tão fofinhos e tão estilosos!! Os pais? Há! Estes os traziam ao colo como troféus e não faziam questão alguma de cobri-los em seus carrinhos, mas de exibir a criança nos trajes típicos da festa.
Cenas de ação, comédia, violência ou suspense continuam sendo projetadas todos os dias, nos chamando a atenção e mostrando a verdadeira trama vivida pela população, mas aquelas projetadas nos últimos dias, durante a 60ª Expo Rio Verde, estas sim, me levaram a refletir sobre o valor de nosso povo, das pessoas mais simples e batalhadoras que fizeram com que nos tornássemos o maior município em produção agrícola do país.
Vale a pena parar e observar melhor as Cenas Urbanas do nosso dia a dia. É importante também, em nossa atuação, seja como coadjuvantes ou protagonistas nessas cenas, valorizar nossas origens, além de ter sempre um olhar crítico e atento para não deixar que cortem nossas raízes.

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